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Fim da 'ditadura' educativa

Falta de diálogo, deficiência na educação paterna; por muito tempo, essas foram algumas das milhares de desculpas para uma herança cultural que pode estar com os dias contados, a "palmadinha".Isso porque uma mudança no ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) poderá proibir o "uso de castigos corporais ou de tratamento cruel e dregadante" contra crianças.
Mais da metade da população consultada pelo Data Folha mostrou-se contra a mudança. Isso expõe, ainda mais, o quanto o brasileiro prefere usar mais da "psicologia agressiva"do que o diálogo ou de castigos brandos, sem nenhuma agressão, e de como a polêmica leiainda vai dar muito o que falar.
Alguns dos principais questionamentos, apontados pelos entrevistados, envolvem como criarão seus filhos sem qualquer imposição agressiva e até que ponto o Estado pode interferir nas relações familiares.Isso mostra que, com o fato de os pais terem sido criados com o uso de castigos corporais, e isso ter se tornado umaespécie de "cultura educativa", a lei pode acabar, com o tempo, obsoleta.
O Brasil é uma terra em que leis "entram sem bater na porta" e vão exigindo que uma cultura aprendida por gerações seja esquecida. A " lei da 'palmadinha'" mostra a veracidade desse fato e resgatou uma velha ideia, que sempre volta à cabeça: se os brasileiros têm condições de obedecer a todas as leis que lhes são impostas.